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Pandemias: quando acabam e quem define seu fim?

Quando acaba uma pandemia? E talvez o mais importante, quem define isso?

As pandemias do passado terminaram geralmente de duas formas:


Por motivos médicos..

Quando a taxa de mortalidade realmente desabava; como, por exemplo, nas pandemias de varíola.


Há relatos da ocorrência da varíola que datam de mais de 3.000 anos! Sempre ocorrendo em surtos regulares de tempo, com centenas de causalidades. Só no século XVIII na Europa cerca de 400.000 mortes por ano eram por causa dela. No século XX estima-se entre 300 e 500 milhões de mortes. Na década de 1960 ocorriam cerca de 15 milhões de casos por ano!!!! Vinte anos depois em 1980 a OMS declarou a varíola erradicada! Que revolução hein! E em apenas 20 anos, tudo graças a vacinação em grande escala.
A outra forma de fim de pandemias foi …

Por motivos sociais

quando o medo da doença desaparecia!
Como nas pandemias de peste bubônica, que é causada por uma bactéria presente nas pulgas dos ratos! Essa doenças literalmente devastou a população da terra algumas vezes ao longo dos séculos … tanto que na idade média ficou conhecida como peste negra!


Historicamente 3 grandes episódios são mais detalhadamente relatados. Nos séculos VI, na era medieval do século XIV (quando 1/3 da população da Europa morreu) e novamente no século XIX e início do XX. Curiosamente, as piores pandemias de peste negra surgiram inicialmente na China!


Mesmo sem nenhum tratamento específico as pandemias acabaram. Há muitos relatos de pessoas que duvidavam do risco e da origem da pandemia, e a forma de lidar com tudo isso à época era simplesmente bebendo e aproveitando a vida!


A doença nunca realmente desapareceu por completo, ainda hoje existem relatos de casos. A melhoria das condições sanitárias e o surgimento dos antibióticos auxiliaram na sua derrocada … mas aparentemente as pessoas simplesmente perderam o medo da doença.
O mesmo ocorreu com as diversas epidemias de gripe da história.

A famosa gripe espanhola de 1918 que assolou o mundo pouco antes da Primeira Guerra Mundial, também seguiu esse caminho. Apesar de ter causado 100 milhões de mortes, o fim da guerra e a sensação de reconstrução e vida nova levaram ao fim da pandemia! Essa gripe, depois de assolar a população, sumiu … retornando em vários surtos, de maneira regular, até os dias de hoje!

O medo…


Algo que sempre esteve bem presente e representado em todas as pandemias, era o medo!!


Em 2014 a epidemia de Ebola causada por um vírus de elevada letalidade (50 a 90% morrem quando contraem a doença), levou à morte mais de 11 mil pessoas na África. No entanto, também causou pânico em países europeus, onde apenas 3 casos ocorreram.


Os eventuais pacientes de origem africana causavam medo e desespero em hospitais ingleses, principalmente quando tinham febre, dor de cabeça e gripe, que são os sintomas iniciais de Ebola, como de muitas outras doenças. O pânico foi tamanho que profissionais de saúde se recusavam a atender esses pacientes. Uma médica ( Dra Susan L Murray) publicou o seguinte texto no New England Journal of Medicine referente ao episódio:
” Se não estivermos preparados para lutar contra o medo e ignorância tão cuidadosamente como lutamos contra outros vírus, é possível que o medo cause um mal terrível à pessoas vulneráveis, mesmo em lugares sem um único caso da doença durante a epidemia. O medo da epidemia pode ter ainda piores consequências quando associado a situações éticas, sociais e culturais”.


Normalmente quando as pessoas perguntam quando a pandemia irá acabar, elas não estão questionando a cerca das taxas de mortalidade, do achatamento da curva ou da possibilidade de uma vacina ou cura … estão questionando do ponto de vista social! Ou seja, quando o medo irá acabar e quando poderemos retomar nossa rotina?


Até essa pandemia atual, ninguém se preocupava com taxas ou curvas. E enfrentamos pandemias durante toda nossa história.

Como Será??


Pessoalmente acredito que não devemos confundir as coisas. Economia e saúde não são situações dicotomicas, ambas precisam funcionar bem para o bem do nosso futuro.


Assim, é bastante provável que a pandemia de covid-19 se encerre primeiro socialmente! As pessoas podem, literalmente, se cansar das restrições. Exaustão, depressão, angústia … tudo isso pode levar a um progressivo relaxamento das medidas de mitigação.
Políticas deveriam ser mais transparentes e com objetivos claros e definidos. Ficar constantemente mudando as regras de combate à pandemia sem motivos claros pode gerar mais estresse e preocupação.

Claro que uma vacina ou um tratamento eficiente podem surgir a qualquer momento e ajudar nesse processo. Mas à luz das outras pandemias de influenza, provavelmente teremos de enfrentar o coronavírus e resolver a pandemia socialmente.


Até lá, torço para tomarmos as melhores decisões do ponto de vista social, político e econômico. Para que o nosso medo seja devidamente dosado, sem exageros. E que possamos aprender, com essa, a encarar as próximas pandemias de uma forma melhor e mais eficiente.

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